Na busca pela inovação empresarial, grandes corporações veem nas startups a solução para a implementação de práticas inovadoras. E é aí que entra o matchmaking como possibilidade para os dois negócios se desenvolverem.

Estão disponíveis várias plataformas e eventos que ajudam as grandes empresas a se conectarem com as startups. Mas se você ainda não sabe o que significa na prática o matchmaking, acompanhe este artigo até o fim.

Além disso, você vai entender quando esse tipo de solução pode ser perigosa e quando é uma boa opção.

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O que é o Matchmaking

Matchmaking é o ato de conectar startups com empresas, com o intuito de resolver os problemas da grande companhia.

A ideia de matchmaking remete às conexões boca a boca e pessoais. Mas, com o auxílio da tecnologia, as plataformas de matchmaking podem facilmente atingir milhares de pessoas. Elas unem as startups às empresas em troca de dinheiro ou de um serviço. Isso garante que ambas as partes estejam se beneficiando dessa transação.

Além disso, é comum encontrar também eventos de matchmaking, que são feitos em um formato para gerar oportunidades de networking entre startups mais avançadas, investidores e parceiros corporativos. Em rodadas de investimento, pode acontecer alguma proposta que vise o formato de matchmaking entre startup e empresa.

Por que não funcionaria?

Parece promissora essa ideia de conectar startups a grandes corporações. Afinal, o que poderia dar errado ao implementar a prática do matchmaking? Afinal, os benefícios mútuos são óbvios (será?).

As grandes empresas temem os disruptores e precisam de novas ideias, mercados, produtos e tecnologias para prosperar. E, conforme o estágio, as startups buscam testar a viabilidade da ideia, conhecimento de mercado, escalar o negócio, entre tantas outras atividades.

Conectar as duas pontas, parece a solução perfeita, não é mesmo? Infelizmente, isso não é tão simples. Pelo menos não com um simples matchmaking.

Ao simplesmente conectar uma startup a uma corporação, algumas coisas podem dar errado (e muito).

Em primeiro lugar, quando a empresa procura uma startup para fazer matchmaking é preciso que ela saiba exatamente quais os tipos de problemas quer resolver. Eles são: One To One e One To N.

One to One (1 problema para 1 startup)

São problemas simples ou periféricos em que uma solução única resolve a questão. Por exemplo, se a sua empresa precisa de uma solução para controlar os acessos das portas do seu negócio, buscar uma startup que já tem esse serviço, ou está desenvolvendo isso, é uma boa ideia.

Dessa forma, o matchmaking pode ser uma opção viável. Mas isso acontece porque o tipo de problema é simples. Quando é algo mais complexo, o matchmaking se torna inviável e gera frustração. Um dos maiores erros de grandes empresas no contato com startups é utilizar o matchmaking na resolução de problemas complexos. A estratégia só funciona para problemas simples.

One To N (1 problema para N startups)

São problemas complexos e que afetam o core business da empresa. É algo que demanda um conjunto de startups, conectadas em arquitetura de tecnologia, para solucionar o problema.

Imagine que a sua empresa quer melhorar o processo de atendimento ao consumidor, deixando-o mais automatizado e digital. O que seria necessário fazer? Provavelmente, a solução passaria pela utilização de inteligência artificial, telemetria, geolocalização, analytics, otimização de processos e assim por diante. Seria necessário um conjunto de soluções e startups específicas, orquestradas de forma única, para resolver o problema.

São nesses momentos que o matchmaking não funciona. Afinal, a grande empresa espera, muitas vezes, que uma única startup – que provê uma solução mais específica – irá conseguir resolver um problema complexo e que necessita de diversas tecnologias.

Relação e conexão entre startup e grande empresa

Além dos problemas listados acima, há diversos conflitos que podem surgir desta conexão entre startup e corporação, que são:

Cultura

Muitas vezes é preciso analisar se a cultura da grande empresa está alinhada com a da startup. Fatores como missão, propósito e objetivos devem ser alinhados pelas duas partes. No momento de conexão é preciso entender como cada uma funciona. Como também se a visão dos fundadores da startup está de acordo com o que a grande companhia defende.

Além disso, geralmente, as grandes empresas são organizações verticais e as startups horizontais. Isso pode resultar em um choque cultural porque a startup tem menos burocracia. Ela precisará se adaptar aos processos estabelecidos pela corporação.

Tecnologias devem estar alinhadas (integradas?)

No processo de matchmaking é preciso que as tecnologias estejam alinhadas. Elas devem conversar. Em muitos casos a startup tem a solução que a empresa necessita, mas as tecnologias e sistemas não se integram. Quando isso acontecer, novamente o matchmaking não funcionará. Afinal, será necessária uma análise de como integrar a startup com o sistema legado da grande empresa. Será preciso fazer uma análise de cyber security, criptografia e a construção de APIs. Para isso o simples processo de matchmaking não funciona.

Comunicação

Uma boa parceria significa comunicação clara. Mas isso pode ser difícil quando você está lidando com uma corporação com várias camadas de stakeholders.

Comunicação lenta e demorada entre os envolvidos é comum. Isso acontece por não ter as pessoas certas envolvidas desde o início. É preciso alinhar bem como irá funcionar a relação entre os empreendimentos.

Metas

Uma das primeiras coisas que deve ser feito ao conectar uma startup a uma grande empresa é o alinhamento de objetivos.

Algo que pode acontecer no matchmaking é resolver o problema mais aparente, porém deixando lacunas e detalhes de fora. Como explicado anteriormente, o matchmaking não consegue resolver um problema complexo (One To N) e foca em problemas simples (One To One).

Visão

Algumas empresas procuram apenas o que há de mais moderno em tecnologia. Quando fazem isso, acabam por não focar na solução do problema que elas querem resolver ao trabalhar com startups e perdem tempo buscando aplicar esta ou aquela tecnologia sem que haja sentido nesse processo.

É a famosa fase “para quem só sabe usar martelo, todo problema é prego”. Não é difícil empresas, por exemplo, buscarem utilizar Inteligência Artificial (martelo) para todo e qualquer tipo de problema (prego). Em muitos casos, elas deveriam estar mais preocupadas em investir tempo no entendimento do problema e sua consequente solução. Independente de qual tecnologia poderá vir a fazer parte do projeto.

Apenas conectar as startups com empresas, desconsiderando inúmeros outros fatores, como os listados acima, pode ser prejudicial tanto para as grandes empresas quanto para as startups.

Alternativas ao MatchMaking

Certamente a conexão entre grandes empresas e startups deve existir, mas precisa ser bem pensada para que seja eficiente e com uma visão macro.

Quando olhamos para uma grande empresa que têm estruturas complexas e problemas que não são pontuais, a startup sozinha, muitas vezes, não consegue compreender isso tudo e gerar um grande impacto nesse ambiente.

É preciso entender também a estrutura da grande empresa e os sistemas que ela utiliza. A tecnologia é um meio, não um fim e está transformando o mundo como o conhecemos.

Neste processo de transformação é possível conectar as startups por meio de uma arquitetura pensada exclusivamente para aquele problema, naquela empresa e situação. Além disso, com fit cultural, modelo de negócio, equipe e vários outros fatores essenciais.

Uma das alternativas são programas que fazem a ponte entre startups e grandes empresas de maneira estruturada, com o intuito de orquestrar as soluções no processo inovador, garantindo a solução do problema. Esse é o caso da LEAP, que une a expertise estratégica da KPMG com o ecossistema de startups do Distrito.

A Leap constrói soluções inovadoras, multi-tecnológicas, com segurança e integração entre startups e os sistemas legados. Ela estimula uma conexão estruturada e pensada para os problemas da grande empresa.