arrow Voltar
O que é Private Equity?

O que é Private Equity?

O que é Private Equity ou investimentos de participação privada e quais as principais diferenças entre essa modalidade e o venture capital?

15 de agosto de 2022 4 min de leitura
time

Artigo atualizado 15 de agosto de 2022

De forma geral, fundos de Private Equity são aqueles que investem capital diretamente nas empresas. Diferentemente do que ocorre no mercado de ações, esse tipo de aporte é feito em empresas que não têm capital aberto. Em troca, os investidores recebem uma participação no capital social dessas empresas.

Esse tipo de investimento pode ser feito por empresas, instituições, gestoras de capital ou até mesmo por investidores individuais. Da mesma forma que ocorre com o Venture Capital, o investimento de Private Equity também pode prever outros tipos de suporte, como participação na gestão da companhia e fornecimento de expertise aos empreendedores.

Neste artigo, nós iremos entender um pouco mais sobre os investimentos de participação privada e quais as principais diferenças entre essa modalidade e o venture capital. Também iremos apresentar um breve panorama do cenário dos investimentos de participação privada no Brasil nesses últimos dois anos.

Como funciona o Private Equity?

O investimento de private equity é feito em startups que desenvolvem margens lucrativas, tem fluxo de caixa estável e vão além de gerar receita. Outro detalhe é que a startup deve ter estrutura e capacidade para atender uma quantidade significativa de dívida.

Assim, as gestoras de PE observam as principais métricas financeiras, incluindo o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o fluxo de caixa, o fluxo de caixa livre e, em última análise, o que a IRR (taxa interna de retorno) pode alcançar.

Também vale destacar que os fundos de private equity muitas vezes investem em diversas companhias ao mesmo tempo. No longo prazo, o objetivo desses fundos é fazer com que essas empresas cresçam e consigam se consolidar no mercado, até que tenham solidez suficiente para realizar uma oferta pública inicial ou ser adquiridas por outra empresa.

Geralmente, é nesse momento que o fundo retira a sua participação na startup investida, embolsando os lucros do aporte realizado.

Eventos de liquidez (exits)

Quem aposta em uma startup espera obter lucros por meio dos chamados eventos de liquidez, ou exits. Neles, o investidor irá vender a sua participação no negócio e obterá retornos de acordo com a valorização da startup investida.

Essas “saídas” estratégicas do investimento podem ocorrer de quatro maneiras:

  • quando a startup investida é adquirida por uma empresa ou mesmo outra startup
  • no momento em que a startup realiza uma oferta pública inicial (IPO) 
  • caso os próprios empreendedores à frente da startup comprem de novo a participação que eles haviam vendido para os investidores
  • em uma nova rodada de captação da startup, o investidor pode optar por vender a sua participação para outros investidores

No entanto, como os investimentos de private equity são aplicados em companhias mais maduras, a expectativa dos investidores é que o exit ocorra através de uma oferta pública inicial ou de uma aquisição.

Qual a diferença entre Venture Capital e Private Equity?

A diferença entre venture capital e private equity reside, principalmente, no estágio da empresa investida. Enquanto o capital de risco é voltado a empreendimentos em fase inicial, o private equity está relacionado a companhias mais maduras (de série C+), em fase de reestruturação e/ou expansão de negócios. 

Por esse motivo, o venture capital é considerado mais arriscado do que os investimentos de participação privada.

Outro ponto é que as casas de private equity podem se inserir em diferentes indústrias e mercados. Já as firmas de venture capital costumam participar de mercados inovadores e com alto potencial de crescimento, como tecnologia e finanças.

Em ambos os casos, compartilham-se os riscos do negócio e há uma união de esforços entre gestores e investidores para agregar valor à empresa-alvo. Os investimentos podem ser direcionados para qualquer setor que tenha perspectiva de grande crescimento e rentabilidade no longo prazo.

Por que obter recursos através de Private Equity?

A opção por obter recursos através de capital de risco ou participação privada apresenta algumas vantagens em relação a um modelo de financiamento tradicional. 

A primeira delas é que os bancos costumam exigir que as empresas comprovem receita para conceder crédito, o que é impossível para startups em estágios iniciais.

Além disso, no financiamento tradicional, a empresa precisa começar a pagar o valor imediatamente e ainda acrescido de juros. Isso tira dinheiro do caixa da empresa em um momento em que ela precisa de todos os recursos para investir no seu crescimento. Já no venture capital/private equity, os investidores receberão o dinheiro aplicado e a rentabilidade em um prazo mais longo, de forma proporcional ao resultado que a empresa gerar.

Nesse sentido, o investimento de risco ou de participação privada se assemelham mais a um investimento em ações da bolsa de valores, no qual a expectativa de lucro está relacionada com o desempenho da companhia.

Panorama do mercado de Private Equity no Brasil

Já há alguns meses, a instabilidade econômica global vem dificultando a captação de novos investimentos para startups de todos os estágios de desenvolvimento. Diante desse cenário de incertezas, alguns investidores preferiram resguardar o próprio caixa, enquanto outros estão selecionando os aportes de modo mais cauteloso.

Contudo, por serem maiores, as startups late-stage (de série C+) são as mais afetadas por movimentos macroeconômicos, como a alta dos juros e da inflação e o aumento no preço do barril de petróleo.

Nos últimos onze semestres, em média, 58% dos valores investidos no mercado de tecnologia brasileiro foram para startups late-stage, que são as que recebem investimentos de private equity. No primeiro semestre de 2022, essa porcentagem caiu para 43%.

Em comparação com o primeiro semestre de 2021, as startups late-stage levantaram 68% menos dinheiro nesse primeiro semestre de 2022. Em relação a todo o ano de 2021, o valor do ticket médio dessas startups diminuiu 23% nos primeiros seis meses de 2022.

Porém, empresas grandes como a Dock, Flash e unico IDtech captaram mega rounds de mais de US$ 100 milhões neste ano, mesmo em meio à turbulência do mercado. Se essas companhias mais maduras forem capazes de apresentar bons resultados no curto ou médio prazo, é possível que elas não sofram impactos tão drásticos em termos de financiamento.



https://distrito.me/blog/private-equity-vai-substituir-o-venture-capital/

Posts recomendados

Acesse o blog arrow