A América Latina é o mercado bancário que mais cresce no mundo. Fintechs e até bancos tradicionais estão começando a aproveitar as incríveis oportunidades de crescimento na região. 

O continente enfrenta desafios únicos, incluindo a grande população sem acesso a banco, altas taxas de juros, sistemas locais exclusivos de pagamento, falta de penetração de cartões de crédito internacionais e um sistema financeiro global não inclusivo.

Neste cenário, nos últimos anos, os investimentos em fintechs atingiram níveis recordes. Os últimos relatórios de tecnologia financeira, do BID e do Finnovista – uma organização que trabalha para fortalecer o setor – afirmam que existem, hoje, 1.166 empresas desse tipo em 18 países latino-americanos.

Este acelerado crescimento está sendo impulsionado pela rápida penetração de dispositivos móveis na América Latina e pelos serviços precários oferecidos por instituições financeiras tradicionais.

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Recorde de crescimento, investimento e um cenário promissor

O relatório Fintech na América Latina 2018 aponta crescimento de 66% de novas fintechs em comparação ao primeiro levantamento, realizado em 2017.

Os investimentos totais de Venture Capital também atingiram um novo recorde na região, com 249 transações e investimento total de US$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do ano anterior. 

Se considerarmos a divisão dos investimentos por setor, 89% do capital foi direcionado ao setor de TI; dentro dele, o subsetor que mais atraiu investimentos foi o de fintech, com 59 investimentos. 

Estima-se que o mercado de fintech da América Latina ultrapasse US$ 150 bilhões até 2021. A região é também a mais lucrativa do setor bancário global. O retorno geral sobre o patrimônio líquido (ROE) em 2017 foi de 14%, superando outras regiões do mundo e mais do que dobrando a faixa de 4-6% das regiões mais desenvolvidas.

As grandes fintechs do mercado latino-americano

A atividade está sendo liderada pelo Brasil, onde há 553 fintechs (segundo levantamento realizado pelo Distrito Dataminer), o México com 273, a Colômbia com 148, a Argentina com 116 e o ​​Chile com 84 – de acordo com dados do Fintech América Latina 2018.

De fato, estamos à frente com grandes nomes. Entre 2016 e 2018, o Brasil viu o número de fintechs crescer em 126%, angariando R$ 1 bilhão em investimentos só no primeiro semestre de 2018.

O cenário positivo foi confirmado pelo relatório Fintech 100, feito pela H2 Ventures e pela KPMG, uma das maiores firmas globais de serviços de consultoria, auditoria, impostos e parceira da Distrito.

A pesquisa aponta que o Brasil possui 3 das 100 fintechs mais inovadoras do mundo, são elas: Nubank, GuiaBolso e Geru.

Nubank

Presente em nosso Relatório Corrida dos Unicórnios, é a startup mais valiosa da América Latina e a primeira startup brasileira a se aproximar da marca de US$ 10 bilhões sem abrir seu capital. Conta com 12 milhões de usuários em todo o País, distribuídos por produtos como cartão de crédito, conta bancária, empréstimo pessoal e investimentos. 

O Nubank acumula US$ 820 milhões levantados em sete rodadas de investimento desde sua fundação, em 2013, e em julho deste ano recebeu a maior rodada de aportes já captada, US$ 400 milhões em Series F. 

Esse novo investimento irá ajudar a empresa a expandir suas operações pela América Latina. Escritórios no México e na Argentina já estão abertos e, em breve, irão iniciar suas operações.

Guia Bolso

Com um pitch de “adeus às planilhas” é um app que promete organizar a vida financeira de seus usuários. Se conecta automaticamente com contas bancárias, sem necessidade de registros manuais, já conquistou mais de 4,5 milhões de usuários ativos. 

Analisando a vida financeira do usuário, o GuiaBolso faz sugestões de como alterar os gastos para poupar mais e chegar aos objetivos que ele determina. 

Em 2018, o Guiabolso encarou o desafio de não só fornecer e organizar os dados financeiros, mas também se tornar um conselheiro financeiro personalizado. O time investiu no aprimoramento da tecnologia de inteligência artificial, além de lançar um novo posicionamento de marca para o mercado.

Com tanta informação sobre as finanças de quem usa o app, o passo seguinte fez todo sentido: passar a oferecer empréstimos com condições extremamente personalizadas, mirando quem mais se beneficiaria deles.

Geru

A Geru se posiciona como a primeira plataforma de crédito totalmente online do Brasil. Fundada em 2013, a concessão de empréstimos de fato começou a partir de 2015, e hoje já chega a quase R$1 bilhão, no total. 

Por meio de um processo de análise de crédito automatizado e que leva em conta diversas fontes de dados e informação sobre potenciais clientes, a Geru é capaz de, instantaneamente, oferecer condições de crédito personalizadas para quem busca empréstimos pessoais entre R$2.000 e R$50.000 com prazo de vencimento entre 12 e 36 meses. 

Financiando-se a partir de debêntures emitidos a investidores, a Geru já levantou mais de meio bilhão de reais para ampliar sua base de clientes e aperfeiçoar sua tecnologia de análise.

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Desafios e oportunidades do mercado financeiro 

De acordo com estudo realizado pelo Distrito Dataminer, os maiores segmentos dentro da indústria de fintechs brasileiras são Meios de pagamento (20%), Crédito (15%), Backoffice (12%), Risco e Compliance (9%) e Criptomoedas (7%). 

Os modelos de negócios das fintechs estão sendo incorporados também por organizações de grande porte. Os bancos, por exemplo, estão investindo pesadamente na digitalização de serviços, e parcerias com fintechs são executadas para tornar as instituições financeiras mais competitivas.

Em nosso Fintech Mining Report 2019 além do levantamento de dados relevantes de todo o ecossistema, entrevistamos grandes líderes de fintechs que tem movimentado o setor aqui no Brasil para entender os principais desafios e oportunidade de crescimento do mercado financeiro por aqui. 

Open banking e a relação banco-fintech

O open banking traz o conceito de que o usuário é dono das suas informações bancárias e não os bancos. Então, se o usuário desejar utilizar os seus dados e compartilhar as suas informações com outro serviço financeiro ou aplicativo, quem deve decidir é ele. 

“Sem dúvida o maior desafio do open banking no Brasil ainda é a regulação pelas autoridades do setor. Além disso, temos o desafio de mudança de mindset e cultura. Pensar “Open” significa questionar, co-criar e solucionar com a agilidade que o mundo digital demanda.” explica Juliana Braga Pentagna Guimarães, Diretora-Executiva do Banco BS2.

Ao perguntarmos sobre como ela vê a relação entre instituições financeiras tradicionais e fintechs, ela afirma: “as fintechs têm menos amarras do que um banco. Nascem mais livres para solucionar as dores dos seus cliente. Mas, em algum momento, ainda precisam de um banco para escalar ou solucionar uma etapa do seu processo de cobrança, pagamento e etc. As iniciativas de aproximação/colaboração entre fintechs e Instituições Financeiras vieram pra ficar.”

Possibilidades das Spin-offs

A principal dor das grandes empresas quando se fala sobre inovação é a mudança. Quando se atua da mesma forma há muito tempo, fazer com que toda a operação aconteça diferente do que já se estabeleceu não é nada simples. 

Os spin-offs abrem a possibilidade de executar essa missão com maior liberdade e rapidez. São empresas que nascem dentro de outras corporações maiores e costumam ser derivações que surgem para atender a produtos ou serviços novos ou que já existam, mas com diretrizes e objetivos diferentes.

Muito do que há no negócio estabelecido é reaproveitado naquele que está nascendo. Toda a inteligência e o conhecimento que possuem na área são canalizados para desenvolver a nova ideia, fortalecendo o potencial de tração do novo negócio desde o começo.

“Foi o que fizemos na Bcredi, utilizando nossa expertise no crédito imobiliário aliada à tecnologia para criar uma plataforma que nos permite prestar serviços a terceiros, angariar novos parceiros de funding e escalar de forma exponencial o nosso negócio. Surgimos dentro do grupo Barigui Cia Hipotecária e, em 2018, “spinoffamos”, ganhando autonomia para direcionar os esforços rumo às próprias metas. Contudo, foi o aprendizado que trouxemos da Barigui que nos permitiu dar esse passo de modo seguro e otimista.” 

Conta Maria Teresa Fornea, Cofundadora e CEO da Bcredi. O grupo já concedeu a mais de 5 mil brasileiros aproximadamente 700 milhões de reais em crédito saudável, o que impacta diretamente a economia do país e transforma a vida financeira das pessoas.

Crédito para pequenas e médias empresas

As pequenas e médias empresas são agentes importantes na economia, em particular no que se refere à geração de emprego. No entanto, elas enfrentam muitos desafios quanto a financiamento e crédito, o que acaba por contribuir para a alta mortalidade empresarial.

A Nexoos é uma plataforma que conecta empresas que necessitam de empréstimos com investidores, operando no modelo peer-to-peer lending, popularmente conhecido como P2P. 

“O modelo peer-to-peer propõe facilitar e baratear o acesso ao crédito para as PMEs. A principal vantagem em solicitar crédito com a Nexoos, é que as empresas passam por um processo simples e rápido de avaliação de crédito, baseado em algoritmos de análise preditiva com uso massivo de inteligência artificial e machine learning.” 

Explica Diego Gomes, co-fundador da Nexoos. E esse modelo não é uma vantagem só para a empresa: 

“Para o investidor, a vantagem está em investir na economia real brasileira e, ao mesmo tempo, ter retornos de até 380% do CDI. O investidor também consegue diversificar seu portfólio em um ativo diferenciado.” 

Fintechs juntas em um grande movimento

A Neon, fintech presente em nosso Super Fintech Mining Report, foi a primeira a oferecer uma conta gratuita e totalmente digital. Novos players continuam chegando para complementar a oferta de serviços financeiros mais justos. 

É um grande movimento, em que todas estão pelo mesmo propósito. Pedro Conrade, CEO da Neon, falou sobre o assunto:

“Eu acredito em um mundo onde tomar decisões possa ser algo mais simples. Um mundo onde a tecnologia trabalha para dar mais tempo e qualidade de vida para as pessoas. Esse é o meu propósito pessoal e com base nisso empreendo desde o início da minha carreira.” 

De acordo com o Banco Central do Brasil, 82% de todo o dinheiro dos brasileiros está nas mãos de apenas cinco instituições financeiras. Mas enquanto boa parte dos bancos tradicionais constroem impérios às custas dos consumidores, é reconfortante ver que temos uma nova geração de empreendedores que querem fazer

“Ainda há muito a ser feito, estamos apenas no começo de mudar a forma como os negócios são conduzidos. São mudanças que não terão volta.” 

Hubs de inovação para fintechs

Além de conectar startups às empresas e aos investidores certos, gerando negócios e facilitando a captação de recursos, os hubs podem fazer uma ponte entre as startups e especialistas e mentores de diferentes áreas, facilitando a estruturação do negócio. Conexão é a palavra-chave.

O Distrito FinTech é o primeiro hub de inovação voltado exclusivamente a fintechs, insurtechs e startups de blockchain no Brasil. Além de ser o principal espaço para a ampliação do ecossistema de inovação em serviços financeiros, Gustavo Gierun, sócio do Distrito, afirma:

“O espaço nasceu com o objetivo de ser uma plataforma aberta de inovação aplicada para, assim, liderar discussões e iniciativas relacionadas ao mercado financeiro.”

Cofundado por Distrito, HDI Seguros e KPMG, o Distrito FinTech conta com estúdios privativos bem como open spaces de coworking. Salas de reunião, salas de call, jardim para eventos, copa e café com self-checkout completam o ambiente.

Graças à rede de investidores e grandes empresas, que têm a opção de participar como mantenedores do espaço, é muito mais do que um local para as startups trabalharem, é um meio de elas se conectarem ao mercado junto a grandes nomes.