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Processo de inovação: o que as grandes corporações planejam para 2021

Ter um processo de inovação definido é um dos fatores que permitem que a empresa coloque em prática ideias inovadoras de forma estruturada e bem-sucedida. Para quem já faz isso, uma maneira de manter o plano atual é fazendo melhorias constantes. Para 2021, um dos temas mais comentados quando o assunto é processo de inovação […]

26 de fevereiro de 2021 10 min de leitura
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Artigo atualizado 26 de fevereiro de 2021

Ter um processo de inovação definido é um dos fatores que permitem que a empresa coloque em prática ideias inovadoras de forma estruturada e bem-sucedida. Para quem já faz isso, uma maneira de manter o plano atual é fazendo melhorias constantes.

Para 2021, um dos temas mais comentados quando o assunto é processo de inovação são as parcerias com startups. Mas há também outras tendências, como fusões e aquisições e ESG. Continue a leitura do artigo e descubra como as grandes corporações devem inovar em 2021.

Conheça as tendências em processos de inovação para 2021

Inovação aberta e conexão com outros players

A inovação aberta é uma das principais formas de colocar um processo de inovação em prática e em 2021 não deve ser diferente. Diversas empresas estão investindo cada vez mais nesse âmbito, como por exemplo, a Ambev que criou o Programa Além Ambev, que conecta a empresa com startups e outros negócios.

Esse conceito criado pelo professor da Universidade de Berkeley, Henry Chesbrough, sugere abrir a inovação de modo que haja colaboração com outros players, como empresas, indivíduos e órgãos públicos, para criar produtos e serviços. A ideia é que hoje é preciso unir forças para continuar inovando. Outros benefícios são a redução de custos e riscos. 

A conexão com startups é uma saída que empresas, principalmente as mais tradicionais, têm encontrado. Fazer parte de uma plataforma de inovação, participar de hackathons e de eventos e programas com startups são algumas formas de começar.

No infográfico abaixo você conhece os princípios, benefícios e formas de implementar o open innovation.

Corporate Venture Capital

O Corporate Venture Capital é uma das formas que as empresas encontram para criar novas iniciativas empreendedoras. Dentre as mais comuns está o investimento em startups inovadoras, mas o processo também pode ser feito internamente, como por meio do intraempreendedorismo

Ao contrário do que ocorre em outros investimentos, no Corporate Venture Capital obter lucro não é o único objetivo. Propósitos estratégicos, como estar à frente do mercado e ser visto como empresa inovadora também fazem parte dos interesses. Tudo isso deve, no fim das contas, se traduzir em aumento das vendas e dos lucros da empresa. 

Projetos de Corporate Venturing, como também é chamado, têm se multiplicado no Brasil. Dentre os negócios que apostam na estratégia, dois terços são multinacionais brasileiras. Gigantes do setor financeiro, como Banco do Brasil, Itaú e XP, estão entre os que já investem. 

Fusões e aquisições

Dentre as possibilidades de fazer Corporate Venture Capital, uma que ganha destaque é o M&A, ou fusões e aquisições. Quando uma empresa interessada resolve adquirir a startup, tem chance de lucrar vendendo suas participações. Também se beneficia do compartilhamento de recursos, processos e tecnologias com a startup, obtendo redução de custos, liquidez e posicionamento de mercado. 

O ano de 2020 bateu recordes de transações de M&A em startups. O total foi de 174 negócios realizados, o que representa um crescimento de 160% em comparação com 2019. 

Os dados são do Inside Venture Capital Brasil, estudo realizado pelo Distrito Dataminer. Fintechs, startups de TI e adtechs foram os setores mais visados ao longo do ano. O perfil das adquirentes mostra que dois terços das startups foram compradas por corporações.

No ano passado, Locaweb, Magazine Luiza e Via Varejo foram exemplos de empresas que usaram a aquisição de startups para modernizar operações. Em 2021, essa tendência de crescimento deve se manter, já que cada vez mais as grandes corporações sentem necessidade de inovar em processos e áreas de atuação.

ESG

ESG são critérios de conduta para que negócios tenham governança ambiental, social e corporativa. A sigla vem do inglês e quer dizer environmental, social and governance (ambiental, social e governança) e surge para atender aos anseios dos consumidores atuais.

Isso quer dizer que, para atender a esses critérios, é preciso respeitar o meio ambiente, fazer iniciativas sociais e cuidar da governança corporativa, contando com mecanismos para impedir problemas com corrupção e outras formas de má conduta internamente.

O termo também é usado no mundo dos investimentos. Um investimento ESG usa como critérios de análise a maneira como a empresa de interesse lida com questões ambientais, sociais e de governança, além das métricas financeiras. O objetivo é permitir ao investidor uma avaliação mais completa da empresa.

Para quem quer investir em startups como forma de acelerar o processo de inovação, é importante estar atento aos negócios que atendem a esses critérios.

Veja as apostas em inovação de grandes nomes do mercado para 2021

David Gross, diretor de planejamento estratégico da AlmapBBDO

O mercado de comunicação tem como característica se reinventar a todo momento. As agências de publicidade, em particular, estão em um momento de gerar mais valor para seus clientes. Orçamentos menores, equipes reduzidas, desafios e objetivos fazem parte das conversas diárias.

Por isso, em 2021, os planos da premiada agência AlmapBBDO são de se aproximar dos clientes, para entender melhor seus problemas de negócio. Além disso, outra aposta é uma conexão mais próxima com os consumidores dessa clientela, para entender seu comportamento em meio às transformações que vivemos atualmente. 

O diretor de planejamento estratégico David Gross conta que essas informações podem vir de parceiros como adtechs e martechs — startups especializadas em soluções de marketing e propaganda. “Com a ajuda de soluções simples, de tecnologia e de alta escala o trabalho pode ficar ainda mais rico, eficiente e assertivo”, conta.

Ele observa que cada vez mais as conversas dentro da agência e com clientes se tornaram digitais, e não mais sobre o digital, como se estivessem vivendo o processo enquanto fazem essa transformação. A pandemia foi um acelerador nesse sentido.

“O ponto bom disso tudo é que esse novo comportamento não deve voltar atrás para as pessoas. Uma vez adquirido, o consumidor agora deve encontrar o equilíbrio entre seus hábitos antigos e os novos – mas não retroceder. O digital veio para ficar na vida das pessoas, porque elas viram de verdade a transformação que pode causar na vida delas”, conclui.

Leia a entrevista na íntegra:

O que você espera para 2021 em relação ao mercado em que atua? Quais são os movimentos das empresas desse setor, das startups? Como você analisa tudo isso e as tendências?

O mercado de comunicação como um todo está se reinventando a todo momento. As agências em particular também estão nesse movimento: de procurar mostrar e gerar mais valor para seus clientes. Passamos por momentos difíceis no ano passado e agora não será muito diferente. Orçamentos menores, equipes reduzidas, desafios e objetivos maiores fazem parte das conversas diárias. 

Sendo assim, vejo as relações tendo que se fortalecer em duas frentes: agência e clientes: estrategicamente mais próximos para entender melhor seus problemas de negócios; e agência e audiências: se aproximando cada vez mais dos consumidores para um profundo entendimento de seu comportamento durante momentos turbulentos sociais, financeiros e psicológicos.

Acredito que a fonte desses conhecimentos pode vir da ajuda de parceiros do mundo adtechs/martechs. Com a ajuda de soluções simples, de tecnologia e de alta escala, o trabalho pode ficar ainda mais rico, eficiente e assertivo.

Mas para todo esse conhecimento acumulado se tornar uma combinação extremamente poderosa, uma vez dentro de uma agência de propaganda deve, invariavelmente, misturar-se à criatividade, pois, assim, surgirá o diferencial e a relevância tão necessários.

Agora, entrando mais dentro dos planos da sua empresa, qual é a perspectiva para 2021 em relação a inovação aberta e o processo de Transformação Digital?

Na AlmapBBDO, assim como a criatividade nasce (e é quase uma obrigação) em qualquer departamento, o processo digital funciona da mesma forma. Não há um trabalho que não saia do forno com esse mindset.

Mas é claro que a transformação digital é um processo contínuo. Estamos sempre em otimização, seja em busca de novos processos, ferramentas ou soluções. 

Vejo cada vez mais que as conversas dentro da agência e com os clientes se tornaram digitais e não mais sobre o digital ou sobre as ferramentas digitais. Estamos vivendo o processo enquanto fazemos. Um processo no qual aprendemos testando, avaliando e melhorando a cada novo trabalho que vai para a rua.

Entendo que agora é o momento de ir além. De procurar mais parceiros e agregar novos conhecimentos aos times da agência. Nosso negócio é feito de pessoas, para pessoas e isso explica a velocidade das mudanças que precisamos imprimir da porta para dentro, já que as pessoas estão mudando todos os dias. Entendemos nossas fortalezas e nossos pontos de melhoria e vamos juntar o melhor de cada um a favor do mesmo objetivo de sempre: o melhor resultado no negócio dos nossos clientes. 

Como você vê a própria pandemia e o efeito que ela traz para a Transformação Digital?

A pandemia foi um acelerador digital em todos os sentidos – na vida pessoal e na maioria das empresas.

Talvez as categorias que mais sentiram esses efeitos foram as financeiras e de pagamentos em geral, já que a migração para o e-commerce foi quase que obrigatória e o pagamento digital, sem contato ou virtual passou a ser o vigente devido ao isolamento. 

O ponto bom disso tudo é que esse novo comportamento não deve voltar atrás para as pessoas. Uma vez adquirido, o consumidor agora deve encontrar o equilíbrio entre seus hábitos antigos e os novos – mas não retroceder. O digital veio para ficar na vida das pessoas, porque elas viram de verdade a transformação que pode causar na vida delas.

Claro que o “digital” é muito amplo, mas acho que a sensação e o impacto durante a pandemia foram muito mais fortes e benéficos. Estamos vendo mudanças significativas nos ecossistemas das marcas financeiras, muitas vezes turbinados por fintechs.

As healthtechs já estão contribuindo e muito com o mercado de saúde, aceleradas pela necessidade, pela atenção e cuidados redobrados com a saúde dado momento que vivemos.

E, claro, o mercado de comunicação também vai se beneficiar da transformação digital via startups: aproximando consumidores dos produtos e serviços, recolhendo dados, gerando insights e transformando tudo isso em mais resultados para os clientes.

Como você imagina que será a relação de trabalho pós-vacinação e pandemia? O quanto isso irá afetar e impactar o processo de inovação dentro das empresas?

Minha visão sobre o momento pós pandemia é que ainda estamos um pouco distantes dele, porém acredito que os efeitos já não serão muito diferentes do que já estamos vivendo agora.

O trabalho remoto é uma realidade em muitas empresas. A questão, então, passa a ser o quanto ele será incorporado dentro de cada empresa: Será para todos? Em todos os níveis? Para quais funções? O equilíbrio passa a ser o melhor caminho aqui. 

Porque a transformação precisa da troca e da interação. Mas o digital não impede isso, concorda? Meu ponto de vista é que esse novo jeito de trabalhar nos coloca à frente de um cenário de inúmeras possibilidades. Se o principal ponto do conceito de inovação aberta é estarmos abertos a ouvir, a receber, a buscar fora do nosso mundo uma nova visão, que melhor maneira de fazer isso do que estar a um “Zoom” de distância de pessoas com skills ou soluções que você precisa?

Sendo assim, fica ainda mais fácil absorver conhecimento. Testar caminhos. Executar ainda mais planos e hipóteses. Assim, trabalho, inovação e transformação devem chegar ainda mais rápido à porta de cada um, seja ela da sua casa ou do seu escritório.

Iomani Engelman, diretor de marketing e novos negócios da Pixeon

Para o diretor de marketing e novos negócios da healthtech Pixeon, Iomani Engelman, a pandemia também funcionou como um acelerador de transformação digital.

“A regulação de telemedicina está acelerando muito a transformação digital de fato das entidades de saúde. A melhora da adoção tecnológica pelo setor deve trazer uma grande fase de melhora da eficiência e uma melhor experiência de consumo de serviços de saúde na visão do paciente”, conta.

O objetivo da healthtech, que desenvolve sistemas de gestão para instituições de saúde, é a inovação de processos: “a estabilidade, o reforço da segurança e a clareza da eficiência operacional para o nosso cliente”, conta o diretor.  

Além disso, outro ponto que trará impacto na adoção da tecnologia é a LGPD, que irá obrigar as instituições de saúde a terem um grau de exigência maior de seus fornecedores  e a rever vários processos de suas instituições para estarem adequadas à lei, aprovada em 2020.

Leia a entrevista na íntegra:

O que você espera para 2021 em relação ao mercado em que atua? Quais são os movimentos das empresas desse setor, das startups? Como você analisa tudo isso e as tendências?
Acreditamos que a pandemia demonstrou como a saúde ainda tem processos analógicos e não permite uma experiência digital ao paciente. A regulação de telemedicina está acelerando muito a transformação digital de fato das entidades de saúde. A melhora da adoção tecnológica pelo setor deve trazer uma grande fase de melhora da eficiência e uma melhor experiência de consumo de serviços de saúde na visão do paciente. 

Dentro das startups, nosso grande objetivo é criar um ecossistema de inovação para que nossa base de clientes possa ser usada pelas startups para acelerar o go-to-market de suas soluções e aumentar a percepção de valor ao mercado. 

Outro tema regulatório que sem dúvida trará grande impacto na adoção da tecnologia é a LGPD, que irá obrigar as instituições de saúde terem um grau de exigência maior de seus fornecedores  e rever vários processos de suas instituições para estarem adequadas à lei, aprovada em 2020. 

Agora, entrando mais dentro dos planos da sua empresa, qual é a perspectiva para 2021 em relação a inovação aberta e o processo de Transformação Digital?

Quando se trabalha com inovação há tanto tempo quanto nós fazemos na Pixeon, torna-se importante entender que existem diferentes tipos de inovação. O Manual de Oslo, por exemplo, que é uma diretriz internacional de inovação, fala em quatro tipos de inovação: de produto, de processo, de marketing e de processo organizacional.

Na Pixeon, 2020 foi um ano de inovação de produto. Lançamos muitos softwares e trabalhamos muito em cima da Pixeon Lumia, nossa Inteligência Artificial. Este ano, miramos a inovação de processos: a estabilidade, o reforço da segurança e a clareza da eficiência operacional para o nosso cliente.  

Como você vê a própria pandemia e o efeito que ela traz para a Transformação Digital?

Em muitos aspectos, a pandemia funcionou como um acelerador da transformação digital. Na saúde, não foi diferente. As instituições de saúde tiveram que repensar a sua forma de funcionar – e até mesmo a sua forma de cuidar.

E voltar a atenção para o paciente dessa forma, entender a sua jornada enquanto usuário dos serviços de saúde foi fundamental para essa aceleração. Daí surgiram, por exemplo, os agendamentos online, as teleconsultas e as receitas digitais. Se antes da pandemia havia alguma resistência à adoção desses serviços, a necessidade de nos mantermos afastados derrubou essas barreiras e serviu de catalisador da mudança. 

Como você imagina que será a relação de trabalho pós-vacinação e pandemia? O quanto isso irá afetar e impactar o processo de inovação dentro das empresas?

Um lado positivo da pandemia foi rever vários processos diários de nossa rotina e isto inclui também a cultura de como tratamos o trabalho. Em um mundo cada vez mais conectado e as cidades com vários desafios de mobilidade e infraestrutura, sem dúvida um dos paradigmas sobre o trabalho remoto será uma nova forma de manter um time produtivo, e com ganhos para a empresa e para o colaborador. 

Economizar de 2 a 3 horas semanais com trânsito é sem dúvida um grande ganho de eficiência e qualidade de vida, sendo que este número de horas, não raramente, pode ser bem maior. O maior desafio para as empresas no meu ponto de vista será manter uma cultura forte e integrada, uma vez que será normal ter pessoas conectadas de outras regiões geográficas das empresas.

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